segunda-feira, 24 de novembro de 2008
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Ambiente Organizacional
Introdução
Quando comentamos sobre análise ambiental, muitas pessoas pensam no ambiente físico (clima, vegetação, grau de urbanização). Este ambiente inspirou por semelhança o processo da análise do ambiente organizacional, que é uma técnica administrativa que deu a origem ao que denominamos de Planejamento Estratégico (PE) (Fischmann,1991).
As técnicas administrativas normalmente evoluem derivando de uma anterior, e o PE é decorrente da técnica conhecida como Planejamento a Longo Prazo, que por sua vez é uma extrapolação do Orçamento para um período mais longo. O PE se diferenciou do Planejamento a Longo Prazo por incluir a análise do ambiente organizacional, ou seja, passou-se a entender que o futuro não é apenas uma continuidade do passado, mas está sujeito a influências diversas que podem alterá-lo.
Com o crescimento da importância do PE a análise do ambiente organizacional vem se tornando cada vez mais, a peça chave para se obter um PE de qualidade. Para exemplificar o crescimento da importância de PE, pode-se citar a sua exigência nos processos de certificação como a ISO 9.000 e para as novas concordatas, a partir da nova legislação que estará sendo efetivada em breve.
Infelizmente parece que ainda são poucas as organizações que tem uma análise ambiental estruturada. No curso de análise do ambiente organizacional ministrado no terceiro trimestre de 2002 na FEA-USP os alunos tiveram dificuldade em localizar empresas que tivessem a análise ambiental estruturada para elaborar o trabalho de campo da disciplina.
Este artigo visa, de uma forma resumida, tratar desta técnica administrativa, para que ao difundir este conhecimento, as organizações possam aprimorar o PE pela sua utilização.
Origem da Análise Ambiental
O Planejamento Estratégico apareceu quando se percebeu que para planejar a longo prazo não basta apenas projetar as tendências atuais para o futuro: é fundamental antever como as variáveis que influenciam na empresa, e das quais esta não tem controle, irão afetar a organização. Para tal, diversos autores apresentaram modelos de como segmentar e analisar o ambiente empresarial. A segmentação ambiental recebeu importantes contribuições de Kotler (1995). Posteriormente, Vasconcellos (1983) e outros autores propuseram adaptações ao modelo de Kotler (1995), seguiram a mesma linha ou propuseram métodos distintos. A partir da segmentação, alguns autores passaram a fazer recomendações de como analisar cada um dos segmentos ambientais.
O enfoque sistêmico e a análise ambiental
Segundo Ackoff (1999) a ciência, a partir do renascimento, para compreender um problema ela o subdividia em problemas menores e estes em problemas ainda menores até reduzir o problema maior em algo simples o bastante para ser completamente entendido. A compreensão das relações entre as partes do problema traria a compreensão de todo o problema. Para eliminar as influências e poder compreender a menor parte do problema ele era tratado em laboratório minimizando a influência das outras partes do sistema. Para entender uma máquina era necessário desmontá-la e verificar como funciona cada engrenagem. Esta forma de pensamento guia as organizações humanas que buscam eficiência em cada uma de suas atividades.
A teoria de sistemas alterou esta forma de pensar, permitindo e exigindo um visão do todo e não das partes isoladas do todo. O nome "Teoria Geral dos Sistemas" e muitos de seus conceitos básicos, foi criado pelo biólogo Ludwing von Bertalanffy (Kast, 1970). O enfoque sistêmico permitiu a interação entre as diversas ciências (física, biologia, química e sociais), pois o problema deveria ser compreendido como um todo, sofrendo influência das diversas áreas da ciência. A capacidade de síntese passou a ser exigida na compreensão dos fatos.
O sistema, segundo Ackoff (apud Marcovitch, 1972), é um conjunto de elementos inter-relacionados. Podemos estudar os elementos do sistema, mas não podemos deixar de perceber que o sistema em estudo faz parte de um sistema maior. O pensamento sistêmico é dividido em três partes: a)Identificação do sistema do qual a coisa a ser explicada é uma parte; b)Explicação do comportamento ou das propriedades do todo e c)Explicar o comportamento ou propriedades do sistema em termos do seu papel ou funções dentro do todo que o contém (Ackoff 1999).
Um esquema comum para representar o sistema com entrada (no caso de empresas chama-se recursos) , processo (onde ocorre a transformação dos recursos) e a saída (que na empresa podem ser os produtos acabados, o serviço prestado, o capital distribuído entre outros).
Quando comentamos sobre análise ambiental, muitas pessoas pensam no ambiente físico (clima, vegetação, grau de urbanização). Este ambiente inspirou por semelhança o processo da análise do ambiente organizacional, que é uma técnica administrativa que deu a origem ao que denominamos de Planejamento Estratégico (PE) (Fischmann,1991).
As técnicas administrativas normalmente evoluem derivando de uma anterior, e o PE é decorrente da técnica conhecida como Planejamento a Longo Prazo, que por sua vez é uma extrapolação do Orçamento para um período mais longo. O PE se diferenciou do Planejamento a Longo Prazo por incluir a análise do ambiente organizacional, ou seja, passou-se a entender que o futuro não é apenas uma continuidade do passado, mas está sujeito a influências diversas que podem alterá-lo.
Com o crescimento da importância do PE a análise do ambiente organizacional vem se tornando cada vez mais, a peça chave para se obter um PE de qualidade. Para exemplificar o crescimento da importância de PE, pode-se citar a sua exigência nos processos de certificação como a ISO 9.000 e para as novas concordatas, a partir da nova legislação que estará sendo efetivada em breve.
Infelizmente parece que ainda são poucas as organizações que tem uma análise ambiental estruturada. No curso de análise do ambiente organizacional ministrado no terceiro trimestre de 2002 na FEA-USP os alunos tiveram dificuldade em localizar empresas que tivessem a análise ambiental estruturada para elaborar o trabalho de campo da disciplina.
Este artigo visa, de uma forma resumida, tratar desta técnica administrativa, para que ao difundir este conhecimento, as organizações possam aprimorar o PE pela sua utilização.
Origem da Análise Ambiental
O Planejamento Estratégico apareceu quando se percebeu que para planejar a longo prazo não basta apenas projetar as tendências atuais para o futuro: é fundamental antever como as variáveis que influenciam na empresa, e das quais esta não tem controle, irão afetar a organização. Para tal, diversos autores apresentaram modelos de como segmentar e analisar o ambiente empresarial. A segmentação ambiental recebeu importantes contribuições de Kotler (1995). Posteriormente, Vasconcellos (1983) e outros autores propuseram adaptações ao modelo de Kotler (1995), seguiram a mesma linha ou propuseram métodos distintos. A partir da segmentação, alguns autores passaram a fazer recomendações de como analisar cada um dos segmentos ambientais.
O enfoque sistêmico e a análise ambiental
Segundo Ackoff (1999) a ciência, a partir do renascimento, para compreender um problema ela o subdividia em problemas menores e estes em problemas ainda menores até reduzir o problema maior em algo simples o bastante para ser completamente entendido. A compreensão das relações entre as partes do problema traria a compreensão de todo o problema. Para eliminar as influências e poder compreender a menor parte do problema ele era tratado em laboratório minimizando a influência das outras partes do sistema. Para entender uma máquina era necessário desmontá-la e verificar como funciona cada engrenagem. Esta forma de pensamento guia as organizações humanas que buscam eficiência em cada uma de suas atividades.
A teoria de sistemas alterou esta forma de pensar, permitindo e exigindo um visão do todo e não das partes isoladas do todo. O nome "Teoria Geral dos Sistemas" e muitos de seus conceitos básicos, foi criado pelo biólogo Ludwing von Bertalanffy (Kast, 1970). O enfoque sistêmico permitiu a interação entre as diversas ciências (física, biologia, química e sociais), pois o problema deveria ser compreendido como um todo, sofrendo influência das diversas áreas da ciência. A capacidade de síntese passou a ser exigida na compreensão dos fatos.
O sistema, segundo Ackoff (apud Marcovitch, 1972), é um conjunto de elementos inter-relacionados. Podemos estudar os elementos do sistema, mas não podemos deixar de perceber que o sistema em estudo faz parte de um sistema maior. O pensamento sistêmico é dividido em três partes: a)Identificação do sistema do qual a coisa a ser explicada é uma parte; b)Explicação do comportamento ou das propriedades do todo e c)Explicar o comportamento ou propriedades do sistema em termos do seu papel ou funções dentro do todo que o contém (Ackoff 1999).
Um esquema comum para representar o sistema com entrada (no caso de empresas chama-se recursos) , processo (onde ocorre a transformação dos recursos) e a saída (que na empresa podem ser os produtos acabados, o serviço prestado, o capital distribuído entre outros).
O Ambiente organizacional
O ambiente organizacional é outro fator condicionante da mudança organizacional. Ele comporta um conjunto de elementos que dependem de coordenação co-participativa a fim de que os objetivos organizacionais sejam alcançados. O ambiente organizacional resulta de uma conjugação de interesses por parte de seus atores, incluindo-se os da organização.
As organizações modernas são mantidas por sistemas de crenças que enfatizam a importância da racionalidade. Uma atitude competitiva produz ambientes competitivos. Visões de recessão produzem recessão. As crenças e as idéias que as organizações possuem sobre aquilo que tentam fazer, bem como sobre aquilo que é o seu ambiente, apresentam uma tendêncio muito maior de se materializarem do que comumente se crê.
Os ambientes são desenvolvidos por grupos de indivíduos e organizações, cada um deles agido com base nas suas interpretações a respeito de um mundo que é, com efeito, mutuamente definido.Isto permite considerar que, no processo de aprendizagem organizacional, o ambiente, interno e externo da organização, participa direta e indiretamente num clima de conflito mais que de consenso. Assim sendo, as organizações precisam permitir o aprendizado crítico, consciente e criativo, utilizando novas estratégias de mudanças baseadas em novos valores.
O Macroambiente ou ambiente geral em que as organizações estão inseridas constitui-se de um conjunto amplo de variáveis que envolve e influenciam difusamente todas as organizações.
Para hall (1984), essas variáveis são tecnológicas, políticas, econômicas, legais, socias, demográficas e ecológicas.
As variáveis tecnológicas são para o autor um dos componentes do meio ambiente, na medida em que as organizações precisam absorver e incorporar inovações externas em seu sistema. As variáveis políticas incluem o clima político e ideológico geral que o governo pode criar e a estabilidade ou instabilidade político-institucional do país em geral.
As variáveis econômicas são decorrentes do contexto econômico geral em que as organizações operam, enquanto as variáveis legais constituem o lado das leis e normas que regulam e determinam o comportamento das organizações. Nas administrações públicas, o Estado está sujeito às leis e, às diretrizes orçamentárias.
As variáveis sócias são pressões e influências do meio onde a organização está inserida, ao passo que as variáveis demográficas, referem-se às características da população, crescimento, distribuição por sexo e idade, raça ou religião, que as organizações devem considerar em seus planos, estratégias de ação e desenvolvimento organizacional. O mesmo acontece com o quadro físico e natural que rodeia externamente as organizações e caracterizam as variáveis ecológicas, uma vez que toda as organizações atuam dentro de um ecossistema.
Isto posto, facilita a compreensão do conceito de mudança sob a perspectiva do ambiente que é qualquer alteração no Status quo. Ou seja, mudança organizacional é a alteração da estrutura, da tecnologia, do ambiente físico ou das pessoas de uma organização, de modo a sobreviver melhor no seu ambiente.
A mudança organizacional é analisada por Hall (1984), segundo as abordagens deterministas e voluntaristas. Na determinista, alguns autores consideram que a ênfase recai sobre as legítimas regularidades inerentes às coisas e sobre o conjunto de limites do desejo humano, sob o conjunto de normas e patrões ditado pelo ambiente organizacional.
É fato que as organizações experimentam mudanças continuamente, principalmente em resposta a alterações do meio ambiente. Na abordagem voluntarista podem resultar importantes diferenças na mudança. Corrobora isto o fato de que o papel da alta gerência de uma organização é determimante no processo de mudança organizacional ou como manipuladores do ambiente organizacional (Hall, 1984).
Dessa forma, a alta gerência das organizações são os agentes de mudança organizacional posto que são eles os agentes, que assumem a responsabilidade de gerir as atividades de mudanças, atuando como catalisadores do processo (Robins, 1999).
Essa perspectiva de análise ancora-se na conjuntura macroeconômica mundial em que o forte apelo da competitividade, imposto pela mundialização da economia invoca a importância de se construir estrategicamente o futuro das organizações sob um constante e contínuo podem implementar inovações tecnológicas tornando-se competitivas.
Conclusão
A análise do ambiente organizacional constitui-se uma importante ferramenta para o desenvolvimento do PE que por sua vez tem se mostrado como uma área da administração, que deixou de ser privilégio de poucas organizações para se tornar parte do dia-a-dia inclusive de organizações menores.
O processo de elaboração de uma análise ambiental pode ser bastante complexo e dispendioso, se forem utilizadas técnicas como cenários para analisar o ambiente específico de uma organização, mas ao utilizar estudos já disponíveis pode tornar a utilização da análise ambiental perfeitamente realizável inclusive em pequenas empresas.
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